sexta-feira, 16 de novembro de 2018

43 Voltas ao Sol



Há uma clara tendência para, à medida que envelhecemos, procurarmos recuperar o nosso “eu” de quando éramos novos.

Recuar no entanto a este “eu” da década de 70 poderá até ser contraproducente. Afinal, os dentes não seriam mais que 6 e o cabelo pouco farto - para lá caminho de novo!

Talvez seja a necessidade de mostrar aos que só me conheceram “4 olhos” ou com as primeiras e segundas rugas que, apesar deste meu sobejamente conhecido mau-feitio, já fui uma coisa fofinha - e é sempre bom ouvir “oh, que coisa fofinha”, certo?

Seja lá qual for a real motivação por detrás da partilha desta foto, venho informar que esta barriguda (fofinha) já passou por 43 quase-sempre-bonitas-primaveras.

Muita coisa mudou desde a primeira primavera e não falo exclusivamente da cor dos olhos. Crescer é bom, envelhecer… tem dias! Mas há sem dúvida um sentimento de rejuvenescimento diário, reflexo de uma vivência rica com os dois melhores presentes que tive nesta vida – a Inês e o Diogo. Não são raras as vezes do dia em que experimento o “já fui assim”, “já disse isto”, “oh, como me lembro”, “eu era tal e qual”, “ah, ah, ah, ah”, “deves pensar que nunca passei por isso”, “ora, ora, sabes tudo – eu também sabia”, “os meus pais tinham tanta razão” e por aí fora. É de facto um desafio concentrado de dúvidas, poucas certezas e muita ternura que, pasmem-se, me faz (sentir) muito mais nova - talvez por reconhecer que fiz, num passado que não me parece tão longínquo assim, exatamente as mesmas asneiras!

Seja qual for o percurso que me espera, tenho uma única certeza: será com poucos dentes, cabelo ralinho e neste Algarve da foto que me sentarei numa cadeira de baloiço, no alpendre, a ouvir cigarras, ao sabor da brisa do fim de tarde da Serra Algarvia, folheando um livro e esperando os figos que cozem ao lume… salivando!

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Enjoy the Ride!




E, de repente, percebo que já não me esperam para cantar os parabéns pelas 15:20, aquela hora que não é nada, nem início de tarde, nem final de tarde, nem logo a seguir ao almoço. É aquela hora que sempre causa constrangimento na atividade profissional. Mas é a hora que a professora manda e pais e mães odedecem para ver os filhos felizes.

De repente, percebo que hoje não terei que ir à hora de almoço, a correr, sempre a correr, tratar de um bolo que chegue para 22 meninos e meninas, mais uma fatia para a professora e as 3 ou 4 auxiliares que, também merecem porque, vá-se lá ver, também cuidam dos nossos meninos, certo?

De repente, percebo que hoje, depois das 15:20, não irei concluir, uma vez mais, que voaram todas as fatias de bolo porque, inesperadamente, os meninos e meninas que querem sempre ir para o recreio, afinal querem repetir a dose e eu, meio sem jeito, não vou dizer que não, e assim as fatias de bolo não chegarão às mãos das auxiliares, levando-me ao plano de contingência – caixinha de biscoitos no dia seguinte.

Entre fatias de bolo, um trilião de coisas boas e algumas centenas que nos fazem lembrar que “os nossos pais é que tinham razão”… 11 maravilhosos (e rápidos) anos passaram.


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

hip hip hooray!



Às vezes tenho saudades dos tempos em que me cabia no antebraço, barriga para baixo, cabeça encostada na palma da minha mão, esperando poder resolver as cólicas que a atormentavam (e pouco ou nada resolvia, mas valia pelos segundos em que acalmava).

Às vezes tenho saudades dos tempos em que toda ela eram faróis azuis, os olhos maiores do que tudo o resto, mais azuis ainda quando a vestia de azul (e estão agora ainda mais bonitos, mas já não sei bem de que cor são, depende dos dias).

Também tenho saudades dos tempos em que podia escolher vestidos, frufrus e outras coisinhas pirosas (e não a ouvia resmungar com isso).

Tenho saudades da primeira sopa, que desastre aquela primeira sopa, chorámos as duas (e agora come tudo o que é verde e tomate como quem come cerejas).

Às vezes tenho saudades de a ver pequenina, no berço, no carrinho, no andarilho, no parque ou em qualquer outro sítio onde não me pudesse fugir (e é certo que me vai fugir um dia).

Às vezes tenho saudades das músicas de embalar da Sara Tavares, das canções tontas da Carochinha, de bater palminhas nas festas da escola, com aquele sorriso parvo de quem tem a certeza que tem a melhor filha do mundo (e todas as mães a têm).

Às vezes tenho saudades destes 12 anos que já me deu, nos deu, carregados de doçura (oxalá nunca perca esta doçura, dizem que é doce de Sagitário, o mais doce do Zodíaco).

Daqui a uns anos terei saudades dos recadinhos no papel, dos beijos de bom dia e de boa noite, dos “até logo” quando vai para a escola, dos “olá” quando regressa, de todos os beijos-porque-sim que nunca se esquece de dar (e que nunca são demais).

Vou ter também saudades que me explique o que significam expressões como "bugados", "bem podre" e coisas que tais (para concluir que estou de facto muito “bugada”).

Mas que coisa boa e rica esta de ver uma filha crescer!

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O Trilho dos Pescadores


A "porta de saída" do Trilho dos Pescadores em Porto Covo, em direção ao Porto de Pesca


Mais do que palavras, o Trilho dos Pescadores pede imagens.

De Porto Covo a Odeceixe, o som das ondas e o cheiro a maresia são companhia constante.

Uma das primeiras pausas, antes da Praia do Malhão


De igual forma, as arribas cobertas de areia - aquela fofa-fofinha onde nos enterramos e progredimos de forma (ainda) mais lenta – são o nosso trilho. Nosso e de todos os caminheiros que o cruzam, na sua grande maioria “fora daqui” e absolutamente deslumbrados com esta nossa Costa Vicentina.

Estas são as vistas do Trilho dos Pescadores


Depois de Almograve, a caminho da Zambujeira do Mar, avistamos o Cabo Sardão com o seu bonito farol


Para que não existam dúvidas - estamos mesmo no Trilho dos Pescadores!


Também eu me deslumbrei. Pensava que já a conhecia de fio a pavio, mas estava enganada. É ainda mais bonita do que eu a julgava.

As marcas azul e verde ditam o caminho a seguir


O Trilho dos Pescadores, parte integrante da longa Rota Vicentina, desenvolve-se ao longo do Parque Natural do SW Alentejano e Costa Vicentina, não é para gente apressada – é para quem tem tempo.

Pedras no caminho na Praia da Ilha do Pessegueiro


Dicas que inspiram na Praia do Carvalhal


A 3ª manhã, à saída da Zambujeira do Mar (o verdadeiro Regime TI, com banho de espuma e tudo)


Por vezes podemos trocar as arribas pelo areal e refescar as pernas!


Uma "caminheira-chorona" passou por aqui e deixou a sua marca decorativa!


Riscas, riscas, riscas a colorir a paisagem


Para tudo melhor se apreciar, é o Sol quem dita as regras. Sai-se quando nasce e chega-se antes de se pôr. De preferência umas horas antes de desaparecer no horizonte, só porque nos espera um revigorante mergulho na praia no final de cada etapa.


A chegada a Odeceixe acontece pelo lado Norte da praia. Felizmente a maré estava vazia, permitindo atravessar a ribeira a pé e terminar esta maravilhosa aventura com um revigorante banho no mar!


terça-feira, 8 de agosto de 2017

Le Tour du Mont Blanc



Aos 41 anos matei a ilusão de que as vacas dos alpes são lilases. Não são. São pretas, castanhas, com pinta(s) ou sem ela(s) e fazem chichis grandes e feios, sem pudor.

Com ou sem "milkas", percebi que teria que palmilhar os trilhos do Monte Branco no verão de 2013. Num jantar de amigos em casa do Pedro Quina vi pela primeira vez o filme promocional do UTMB. Fiquei deliciada e agarrada a um cenário em especial. Via os atletas subir o que parecia ser uma interminável "parede", uma tenda amarela, e depois a descida, "prado" fora. Quatro anos depois sei que aquele "topo" se chama Arret du Mont Favre e foi nesse mesmo local que o cume do envergonhado Monte Branco se revelou pela primeira (e quase única) vez nesta viagem de 7 dias.

O Tour do Monte Branco é para todos. Dos 8 aos 80. E foi precisamente isso que presenciei ao longo destes dias. Centenas de caminheiros a partilhar trilhos. Umas vezes energia, outras fadiga, mas sempre um sorriso no rosto, vagar de sobra para um "bonjour", "ciao" ou "pas de soucis" com quem nos cruzávamos pelo caminho. 

A célebre citação "a terra é redonda para não sabermos o que nos reserva o caminho" deve ter encontrado inspiração por aqui. Depois da subida a um qualquer "col" a que não vemos o fim, logo se seguia a descida a mais uma "vallée".

Ao Col du Tricot, que também poderia ser o Cume da Trança pelo ziguezague no trilho, logo se seguiu a belíssima vista sobre o Glaciar de Bionnassay a mostrar que isto tudo terá mesmo começado com o Scrat e a sua irrequieta noz na Idade do Gelo.

Horas depois viria a subida ao Col du Bonhomme, debaixo de chuva, vento e granizo, a gelar-nos mãos e pés e a mostrar que é a montanha quem manda. Poderíamos ter seguido nesse segundo dia para Saint Tropez, na medida em que um maluco português, cujo nome não revelarei, decidiu anunciar no Refúgio de La Croix de Bonhomme que quase fica no fim do mundo, que o shuttle partiria em 10 minutos ("Saint Tropez, dix minutes!"), roubando gargalhadas aos mais tímidos e gelados caminheiros que se tentavam aquecer. Mas resistimos.

Resistimos para no dia seguinte ter um pé "na" França e outro em Itália, depois de atingido o Col de Seigne, não sem antes contar 452 carneirinhos no Vale des Glaciers. A chuva partiu e nós também, rumo ao Vale Vény, chegando depois ao Lago Combal, barreira natural da moreia do Glaciar du Miage. Chegámos nós e 345.224 chineses ou coreanos ou gente de olhos em bico que estão por todo o lado, saltam debaixo das pedras, nascem como cogumelos e tiram fotos a cada 10 segundos - olha a novidade! Olhámos os olhos (!) em bico com inveja, porque caminhavam sem peso às costas. As mochilas iam de táxi, vejam só. Olha se eu alguma vez pagaria viagem de táxi à minha mochila e eu iria a pé. Mochilas com vidas de luxo, é o que é!

Mais uma voltinha, mais uma subida e encontrámos a melhor esplanada do percurso, a Maison Vieille. O nome é francês, mas estamos em Itália e a carta do ristorante do refúgio enche-nos as medidas. Pasta, pasta, pasta! Que rico almoço. Linda descida pelo bosque e eis que chegamos a Courmayeur, civilização a custo não suportável por portugueses, arregalamos os olhos, remexemos e vemos tudo o que não iremos comprar, mas trazemos connosco o buff do Tour do Mont Blanc para usar no último dia. Mas antes disso ainda faremos a magnífica subida ao Grand Col Ferret, onde Itália e Suíça se tocam. Esta subida-nunca-mais-acaba tira-nos o fôlego pela dureza e beleza. Para melhor chegarmos ao topo, o Rifuggio Elena reserva-nos o melhor chocolate quente, para depois, bastante tempo mas poucos quilómetros palmilhados depois, festejarmos a ascensão a mais um cume. O dia ainda não tinha terminado e a descida do Vale Ferret até La Fouly faz-nos não querer parar, por entre prado, single tracks rodeados de árvores e flores, de todas as cores. Uma delas, diz-nos o Gonçalo que nos guia desde o primeiro dia, chama-se "femme au réveille". Perguntei se era por ter um look despenteado. Acertei.

A viagem não termina sem a passagem pela Buvette de Bovine, esplanada com vista a rivalizar com a Maison Vieille, e o seu melhor bolo sem chocolate do mundo. Pedimos a receita que nos foi gentilmente cedida. Agora é com a Gi e as suas mãos talentosas para a doçaria.

Em Trient o esforço do dia foi recompensado com um delicioso fondue de queijo que deixou naturalmente reservas para o último fôlego, no dia seguinte, para a magnífica subida ao Col de Balme e então avistarmos o grande vale de Chamonix aos nossos pés.

Nestas aventuras as metas não têm pórticos, mas eu e a Gi registámos o momento como se de uma ultramaratona se tratasse. Inesperadamente houve "medalha", com a calorosa receção já em Lisboa, no aeroporto, das fantásticas duas esses, que nos receberam efusivamente, com balões, chá quente e biscoitos. E prémio de finisher pois então.

Obrigada Gi, Monsieur Otto, Gil, os simpáticos Rita e Gonçalo, os sensatos Fernanda e Mário e o valente super-Mário.

Um agradecimento especial ao Gonçalo Silva e à Outside, que tão bem nos guiaram.
Devagar espero chegar longe.

domingo, 26 de março de 2017

Vicente, o fim do caminho e da Algarviana


Km 300. A meta (ou o início de qualquer outra coisa), no fim da terra!

Há 1 ano (sim, 1 ano) pisei o km 0 da Via Algarviana em Alcoutim. Hoje, no mesmo dia, mas 1 ano depois, cheguei ao Cabo de São Vicente. Foram precisas 55 horas, distribuídas por 11 dias, para aqui chegar.

Esta aventura nada tem de mérito desportivo: o Algarviana Ultra Trail receberá em novembro próximo 60 atletas que se proporão fazê-la, sem interrupções, num tempo máximo de 72 horas - estes atletas sim, terão por que se orgulhar (mas eu cheguei primeiro!).

Esta aventura também não é o pagamento de qualquer promessa ao mártir São Vicente que, por ter recusado oferecer sacrifícios aos deuses durante a perseguição aos cristãos, acabou por ser morto e mais tarde trasladado para o Promontorium Sacrum, onde agora me encontro: já paguei todas as promessas feitas e, ao contrário dos políticos, faço poucas.


Esta aventura é sim a concretização de um desejo pessoal, que há muito procurava: eu e o trilho, num canto do País que tanto gosto, numa serra que percorri de lés-a-lés e que tão bonitas vistas, cheiros, sons (silêncio também) e motivos para sorrisos (alguns “ais”) me ofereceu.


Em boa verdade, e fora do contexto das caminhadas ou corridas, há dias ouvi algo que traduz na perfeição o que foi esta minha Via Algarviana: “Sometimes it’s not about how far can I go, but about how yummie can I make it”. E foi isso que foi este longo (e demorado) passeio. Muito yummie!


Tempo agora para arrumar as sapatilhas e as ideias também - em breve sairão meia dúzia de linhas sobre esta aventura de 11 dias num ano. Porque não vivo sem palavras escritas.



terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Passadeira Vermelha na Serra da Lousã

foto: Miro Cerqueira

As coisas nem sempre correm como planeado, mais ainda quando o espírito é no sentido de pouco planear.

Nada mudaria nesta aventura, que apenas terminou quando eu e a Gi decidimos terminar, percorrendo assim os trilhos mais bonitos que nos oferece a Serra da Lousã.

Como disse em tempos, não são as pernas que me movem, mas tudo o resto, e naquela serra é difícil escolher o melhor daquilo que é uma verdadeira passadeira vermelha de luxo.

Cada um de nós que por lá passa arrecada o óscar para “melhor caracterização” no estilo lamacento. O óscar de “melhor canção original” vai para a água a escorrer pelas cascatas e riachos abaixo, enquanto os pés pisam o cascalho e folhitas, o óscar de “melhor fotografia” é atribuído à vista que nos oferece o Penedo dos Corvos, o trilho das pontes tortuosas depois do Gondramaz arrecada o óscar de “melhor montagem”, o óscar de “melhor guarda roupa” vai sem dúvida para as atletas femininas que muito coloriram a serra e o óscar de “melhor design de produção” vai para a escada de pedra depois da Senhora da Piedade.

Finalmente, e sempre o mais importante: o óscar de "melhor realização", atribuído uma vez mais à numerosa equipa/família abútrica que, ano após ano, ainda nos consegue acolher com mais simpatia e alegria.

foto: Matias Novo

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Happiness is something that comes a lot more easily when we stop thinking about it




“If only we’d stop trying to be happy we’d have a pretty good time.”

Uma excelente leitura para início de ano e para reler sempre que justifique, nos restantes 365:

Stop Chasing Happiness



quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Sopram-se 11!



Em tempos escrevi que o meu segredo passava por depender de muitas coisas para ser feliz.
Assim, quando uma falha, outras me animam.
Isto é tudo verdade, mas há uma exceção.
Já não conseguiria ser feliz sem a minha Inês.
Há 11 anos a fazer-me feliz!


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Uma Grande Rota que já leva 41 anos




Recordo-me de há alguns anos ter escrito uma extensa “wishlist”, carregada de coisas boas, umas materializáveis, muitas mais não. Nos desejos materializáveis incluia os bifes panados com arroz de tomate e feijão da minha mãe. Dos outros, os “esotéricos”, fazia parte uma complexa mas inspiradora citação: “coragem para mudar o que posso mudar, serenidade para aceitar o que não posso mudar e sabedoria para conseguir distinguir uma coisa da outra”.

Quem gosta de andar serra fora como eu, sabe que não minto se disser que por lá é tudo muito mais fácil do que no “mundo real”. É certo que temos altos. Temos baixos. Temos energia. Falta-nos demais. Por vezes temos um horário a cumprir. Noutras temos tempo de sobra. Temos fitas ou marcas de uma qualquer rota a dizer-nos por onde seguir. Às vezes perdemos-lhes o rasto, mas rapidamente nos apercebemos do engano, voltamos atrás, recomeçamos de novo. Mais fácil seria impossível.


Nestes últimos meses, os traços vermelho e branco de uma Grande Rota têm feito parte de algumas horas das minhas semanas. E já me aconteceu desejar que os pudesse ter na “vida”, a apontar-me o caminho a seguir, com a garantia de que chegaria a bom destino. O trajeto poderia não ser fácil, poderia ter obstáculos (como sempre existem), mas saberia estar a tomar a direção certa para atingir o meu derradeiro objetivo de vida: ser feliz e fazer os que me são queridos felizes.


Apesar de nem sempre saber o caminho a tomar, reconheço que sou uma quarentona com sorte. Independentemente dos meus infinitos defeitos, estou muito feliz por ter nascido esta Susana que sou e não outra coisa qualquer (sim, sim, mesmo a Scarlet Johansson). Só preferia não me chamar Susana (lá estou eu).


Um agradecimento muito especial a quem me tem acompanhado e ajudado a trilhar este longo caminho que já leva 41 anos e muitos, mas mesmo muitos mais altos do que baixos. Estou convicta que ainda falta um pedaço para o “resto” (vou viver até velhinha), por isso “não saiam dos vossos lugares” - ainda terão que me dar uma mãozinha!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Ases nos Asas

O meu pai. E a caligrafia do meu pai no quadro.

Não é Dia do Pai. E o meu pai não faz anos.

Acontece que, há precisamente 4 anos, a família se juntou nos sofás de uma casa numa aldeia serrana algarvia para ver a estreia da reportagem do programa “Perdidos e Achados” da SIC, sobre os Asas de Portugal.

Ainda esta semana falava com o meu pai (a quem também chamam o “pai dos Asas”, e sim, sinto um orgulho desmesurado nisso) sobre as aventuras da “nossa” patrulha, nos tempos em que ainda se exibiam nos ares as cores nacionais, a fazer leques, saca-rolhas, cascatas e reuniões em looping.

Infelizmente não são estas as manobras que nos salvam o mundo, mas são “pequenas” coisas como estas, como diz o meu pai nesta reportagem, que trazem alegria para as nossas vidas.



segunda-feira, 6 de junho de 2016

Correr até ao céu... ou só metade


Foto: Miro Cerqueira

Falámos em janeiro, alguns dias antes de partires. Falaste-me do bordão. Eu não sabia o que era um bordão.

Disse-te que cada vez corria menos e me iria dedicar às caminhadas. Andava cansada, justifiquei. Prometi ainda que quando voltasse à Madeira te acompanharia, a ti e ao teu grupo, o “Madeira de Lés a Lés”, num dos vossos longos passeios, que começam todos os sábados às 7 da manhã.

Voltei à Madeira, mas já cá não estás. Afinal eras tu quem estava cansado.

Não te acompanhei na tua caminhada, mas acompanhaste-me tu na minha. Foi no sábado, mas já passava das 7. Não lhe chamam caminhada, mas sim Santana Sky Race. Grande pinta, não achas? De “race”, claro está, a minha experiência pouco teve. Mas fiz o meu melhor, que é como quem diz, não impressiono ninguém senão a mim mesma, pelo que vejo, pelo que sinto e pelo que transpiro!

Não te deslumbres com o que te conto. Os heróis - os mais experientes, treinados e ousados - fazem a Ultra Sky Marathon Madeira. Dobro da distância, três vezes o desnível - vai na volta sobem tanto que te estendem a mão! Caramba, como não me lembrei disso?!

Super Mário, a tua ilha é linda. Ouves-me, aí ondes estás? É tão bonito quanto aqui? Andas por aí a semear simpatia e a despoletar gargalhadas como fazias cá por baixo?

Fazes cá falta.

domingo, 1 de maio de 2016

Estói aqui!



Na partida - e sim, fui propositadamente a última a sair!

“Todos os anos a aldeia de Estoi celebra a Festa da Pinha, uma tradição secular que, no dia 1 de maio pela madrugada, faz aparecer nas portas, varandas, jardins, ruas, praças e estradas vários bonecos. Estes bonecos de tamanho próximo do real, feitos artesanalmente pela população com palha e diversos tecidos, são conhecidos por Maios e Maias. A origem desta tradição remonta às festas pagãs da Roma antiga. Ao longo dos tempos esta tradição tornou-se símbolo da chegada da Primavera, dando as boas vindas ao mês de maio, garantindo que as colheitas corressem bem, afastando o diabo ou as bruxas e, mais recentemente, como sátira social”.

No início, em Estói, e já vou cansada!

Ontem estive em Estoi, no Trail de Ossónoba/Água de Faro, para o trail de 25 km que arrancou do Largo da Igreja pelas 18:30. Nunca antes havia ligado o frontal na Serra Algarvia. Foi uma experiência deliciosa, com a Primavera a fazer-se anunciar com os seus cheiros, mais intensos depois do ocaso. Quando os ouvi, aos grilos, dei-me conta das saudades que tinha dos seus cantares! No final, não quebrando a tradição, encontrei esta Maia (que afinal nasceu em novembro), com tamanho próximo do real – 1,56 m, mais coisa, menos coisa - um pouco cansada. Afinal foram mais de 1.100 metros de desnível positivo!

É agora que chegamos lá acima? (não sabes em que vais subir mais 4 "serras"!)

A ATR está de parabéns - mostrou-me uma parte do Algarve que desconhecia e fê-lo de forma exemplar: desde as marcações, à simpatia dos voluntários (imensos por todo o percurso!) e com uma receção na meta muitíssmo animada, ou não se celebrasse a chegada de tantos Maios e Maias que se aventuraram "monte" fora.

E agora, tempo de festejar a chegada de maio (o mês, não o boneco), celebrar o dia do trabalhador (que hoje não trabalha!) e por último, mas seguramente mais importante, na qualidade de mãe abraçar os meus filhos e na qualidade de filha abraçar a minha mãe!


sexta-feira, 22 de abril de 2016

Eccezionale Einaudi!

Einaudi, no Coliseu de Lisboa


“A true lover of art - recognizes art - no matter the difference”. Li esta frase esta manhã, perfeitamente enquadrável no tributo que Einaudi dedicou a Prince, ontem, no Coliseu de Lisboa. Só veio provar que este brilhante compositor é de facto um senhor da música. E assim tocou “Fly”.

Antes dessas já outras havia tocado. E com muitas outras nos presenteou depois. As novas, as antigas, as “velhinhas”. Assim, de repente, Night (um encanto!), Petricor, Drop, Four Dimensions (que interpretação!), Elements (claro!), Twice (para mim, a melhor do novo album), Una Mattina, Time Lapse… Acompanhado e a solo. Duas horas de música que dificilmente não marcaram quem por lá esteve.

Só não foi a “experience” perfeita, porque há muitas dezenas de espectadores que ainda não sabem que um espetáculo desta natureza é diferente dos que se ouvem no MEO ARENA e merecem outro tipo de postura. Por respeito aos artistas e a quem lá está para ouvir nenhuma outra coisa que não seja Einaudi e usufruir de nenhuma outra luz que não seja a do palco – flashs, telemóveis ligados e coisas que tais não se enquadravam naquele lugar.

Com Einaudi estiveram 5 outros músicos - o Riccardo não terá deixado as meninas indiferentes (e não falo apenas da percussão!) e o Federico, que trocava de instrumento como as senhoras trocam de brincos, deixou-nos de boca aberta.

Einaudi e a sua música fazem bem à saúde. Fabricam sorrisos e despoletam "pêlos eriçados". Já o havia provado no CCB em 2013 e voltou a mostrar porque tanta gente, miúda e graúda, vibra ao som das suas composições - se ouvi-lo em casa, no carro ou nos trilhos é uma preciosidade, ao vivo, é um fogo de artifício de criatividade.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Susana no (tempo) limite


Tens que treinar, treinar, treinar.
Fazer séries.
Fartlek.
Crossfit.
Reforço muscular.
Nadar também faz bem.
Pedalar alivia as articulações.
Tens que tomar suplementos. Energéticos. Proteicos. Vitamínicos.
É isso.
Ou então não.
Neste meu hobby permito-me ter a inconsciência que não me autorizo noutras coisas da vida. As coisas sérias.
Sou a Susana no (tempo) limite.
O que teria perdido se não me tivesse lançado para o que não estava preparada!



quinta-feira, 7 de abril de 2016

Via Algarviana - de Alcoutim às Furnazinhas



A Grande Rota, que liga Alcoutim ao Cabo de São Vicente


São 300 os quilómetros que ligam Alcoutim ao Cabo de São Vicente. A Via Algarviana está seccionada em 14 setores, adaptados a caminheiros.

Decidi fazer um pouco de batota. Não os farei de seguida. Mas juntarei dois setores de cada vez. E, se tudo correr bem, chegarei ao Cabo de São Vicente antes que o ano termine. Isso mesmo. Farei o caminho quando fizer, chegarei ao fim quando chegar. A única condição que me impus foi de o terminar este ano.

O que tem de especial? Provavelmente nada. Trata-se de adaptar um projeto há muito adiado à "disponibilidade da vida" e às visitas ao Algarve. Desta forma consigo tudo fazer - correr e gozar o amor da família.

O dia 1 desta aventura aconteceu em véspera de dia de Páscoa. O meu irmão levou-me ao km 0 - foram precisas quase hora e meio de carro para lá chegar - e o meu pai foi-me buscar às Furnazinhas, a "meta" que havia definido para o dia. Sou uma valente sortuda com apoios assim.

Estes dois troços estão muito bem sinalizados, não oferecendo grandes dúvidas. Esta questão é tanto mais importante para alguém como eu, que pouco se entende com GPS e que decidiu aventurar-se sozinha monte fora.

Os campos estavam lindos - não me canso de dizer que parece que o jardineiro por lá haveria andado na semana anterior - e a temperatura muito agrádavel. O sol tímido, espreitava uma ou outra vez, mas manteve-se a maior parte do tempo escondido, o que acaba por se revelar positivo neste tipo de experiências, que se querem mais frescas.


 Ao longo do Guadiana

Os primeiros quilómetros ao longo do Guadiana são preciosos. O caminho a tomar para a GR está perfeitamente identificado, mas são muitos os PR que entrocam no percurso principal - mas não, não me desvio do meu caminho.

Sigo maioritariamente por estradões, que na generalidade das vezes estão limpos, salvo uma ou outra ocasião, em que se encontram pontuados de pedras.

Falhei os menires - sim, não me apeteceu desviar um pouco do trilho para os ir espreitar, seguindo sempre em frente, porque para a frente é que é o caminho.

Consigo manter um trote ligeiro a subir e em plano. Nas subidas opto por caminhar, da forma mais vigorosa possível, para não me atrasar.


 Tudo o que desce, tem que subir!


O percurso está cheio de "sobe e desce", traduzindo-se assim nos seus mais de 1.000 metros de desnível positivo e quase 700 m de desnível negativo, para cerca de 38 km. No meu caso foram alguns quilómetros mais, porque na chegada ao fim do primeiro setor, em Balurcos, perdi "o fio à meada", depois de uma energizante cola e amendoins (daqueles a sério, que se descascam e tudo!) num café da povoação.

No regresso ao trilho, acabei por tomar a indicação de um PR (sim, a lista amarela estava desbotada e pareceu-me branca) e fazer alguns quilómetros fora da Via Algarviana. Percebi que algo fazia pouco sentido e voltei atrás, ao ponto de partida. Lá estava ela, a marca da GR, num pilarete semi-escondido pelas ervas do caminho - e segui então pelo trilho certo. 


 O jardineiro andou por aqui esta semana, certo?


Vou atravessando algumas povoações e deixando-me encantar pelas casas caiadas de branco, com os seus rebordos coloridos e cortinados de renda.



 Posso entrar?


Os campos estão tão floridos, que até na água encontro flores. Água, sim, fui encontrando alguma pelo caminho e não perdi naturalmente a oportunidade de me refrescar (por vezes até à cintura), molhando o buff, passando-o pelo rosto e espremendo-o pelo pescoço abaixo - como fico revigorada com esta frescura!

Ao longo do percurso não tive outra companhia que a dos sons dos pássaros e, em particular, das perdizes. Muitas perdizes. Perdizes gordas, muito gordas. Minto. Nas primeiras horas, passaram por mim 3 ciclistas. Nada mais que isso. Tenho todo o tempo do mundo para em tudo pensar, alternando com "pensar vazio".


Flores por toda a parte!


A descida para a Ribeira da Foupana é longa. Tudo o que desce, sobe, por isso sei que depois de a atravessar a vida não vai ser fácil.

Chego a uma aldeia e perco o rumo, questionando dois velhotes que estão junto ao estradão. "Por onde segue a Via Algarviana?", pergunto. "É por ali. Mas a menina vai sozinha? E vai atravessar a ribeira sozinha?", respondem admirados. "Ah, não faz mal, estou habituada", pensando para comigo que dificuldade poderia oferecer uma ribeira na serra algarvia, depois de um inverno em que pouco chouveu. A ribeira não tinha muita água, é certo, mas como o objetivo é atravessar onde for mais fácil, perco a sinalização e, quando me encontro na outra margem, vejo-me abraçada por arbustos mais altos do que a minha altura. Caminho uns metros e só 5 minutos depois, que mais parecem 15, vejo a marca da Via Algarviana - é por aqui e... é para subir muito. "Coitados dos ciclistas", concluo. 


Cenário divertidíssimo, este que encontrei.


O céu cobre-se de cinza escuro, olho para o relógio, avisto o reservatório de água e verifico que estou no topo das Furnazinhas. Desço as escadas até à vila, sem gente. Encontro um senhor que me pergunta se preciso de algo. "Onde posso beber alguma coisa?", respondo. O senhor era o dono do café, que acabara de ser fechado, para depois reabrir, apenas para mim.

Uns minutos depois chega a chuva e o meu pai, para me levar de regresso a casa, onde a Inês e Diogo me esperam para saber em que lugar fiquei na "corrida". Desta vez fui a primeira e a última, esclareço.

Próxima etapa: no dia que calhar, em abril ainda, assim o espero, Furnazinhas a Cachopo, completando assim mais dois setores da Via Algarviana, num total de 35,2 km. 

Por agora, já só faltam 260 km!

terça-feira, 29 de março de 2016

Antípodas


Em Colónia, no dia de regresso, entro no elevador com mais um hóspede.

Ele: Going home?
Eu: Yes, back to Lisbon. Not that far. I bet you’ll face a longer trip.
Ele: Yes. In fact I’m flying to New Zealand.
Eu: New Zealand?! That’s the antipode of Portugal! Could not be more far away! You know you have a famous trail runner in New Zealand, right?
Ele: True?
Eu: Oh yes! Her name’s Anna Frost and she’s one of the best. You should check her.

E pronto. Nunca mais verei o senhor, mas já espalhei “a palavra”.
Tudo isto porque me lembrei do filme HOME da Salomon e desta música que o acompanha.



sexta-feira, 25 de março de 2016

Via Algarviana, em vários atos



A Via Algarviana


Caminhos? Caminhos há muitos!

Este é um projeto há muito adiado, reavivado no Verão passado, em setembro, enquanto palmilhava os trilhos do Trail do Lince e me cruzei com várias marcas do percurso da Via Algarviana.

A Via Algarviana é uma Grande Rota Pedestre que liga Alcoutim ao Cabo de São Vicente, com uma extensão de 300 km e atravessando 11 concelhos do Algarve (Alcoutim, Aljezur, Castro Marim, Tavira, São Brás de Alportel, Loulé, Silves, Monchique, Lagos, Portimão e Vila do Bispo).

A missão que me auto-propus e, como tal, aceitei e abracei fervorosamente, será fazer o percurso de forma faseada, aquando das visitas regulares aos meus pais, no Algarve.

O plano não é muito ambicioso - propus-me concluir dois setores de cada vez, já que a divisão do percurso está adaptada a caminheiros. Como ainda acredito que conseguirei manter um trote ligeiro, poderei completar dois setores em cada dia. Estou certa que terei que rever a estratégia quando chegar ao setor que inicia em Silves e termina lá em cima, em Monchique!

Fora uma dezena de quilómetros que já tive oportunidade de percorrer perto de casa, no concelho de Silves, desconheço o que me espera. A expectativa é grande e vou antecipando o momento da chegada ao extremo Sudoeste deste nosso País, no Cabo de São Vicente, um pouco a Norte da Ponta de Sagres, onde esta aventura terminará - só não sei precisar quando!

Amanhã é o dia "1". Comecarei de manhã cedo em Alcoutim e, se tudo correr bem, terminarei nas Furnazinhas, 38,5 km depois. Contarei com o apoio logístico do meu pai, já que as dificuldades para chegar ao ponto de partida e chegada constituiriam seguramente a maior aventura do dia!

Etimologicamente, o termo "Páscoa" é originário do latim Pascha e deriva do hebraico Pessach/Pesach, que significa "a passagem". Em véspera de dia de Páscoa, espero que a minha passagem pela Via Algarviana seja abençoada!

quarta-feira, 9 de março de 2016

Recordar o Caminho

Santiago, 9 de Março de 2014


Dois anos me separam deste momento. O momento em que, de sorriso aberto, recebi a minha compostelana na Oficina do Peregrino, em Santiago de Compostela. Susannam, Cidadã de Compostela.

Por várias vezes ouvi que o Caminho de Santiago era o caminho da busca do “eu interior”. No meu caso, porque sou teimosa e do “contra”, mais do que pensar, buscar ou tentar encontrar, obriguei-me a não pensar. É necessária muita disciplina para não pensar ao longo de 250 km em 5 dias. Rapidamente nos distraímos e começamos a pensar em algo.

Como nos dizia um dos corrigrinos do grupo que alinhou nesta fabulosa aventura, “é imperativo fazer o caminho - dificilmente teremos tanto tempo para nós próprios como temos ali". E que bem sabe ter tempo nos tempos de hoje!

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Verdes são os campos, da cor do limão, assim são os olhos, das mulheres do meu coração


Eu (ainda com olhos azuis) e a Zé (garanto que tem olhos verdes)


Quando percebi, nos primeiros meses de vida da Inês, que a minha filha teria olhos claros, fiquei muito contente. Não que considere os olhos claros mais bonitos do que os outros. Nada disso. Fiquei muito contente porque assim se garantia a continuidade dos olhos verdes nas mulheres da família - há quem fique contente por haver várias gerações de médicos na família, certo?

A avó Clarinha, a melhor contadora de histórias que já conheci, tinha olhos verdes. A minha mãe, a melhor cozinheira que conheço, tem olhos verdes. Eu tenho olhos verdes (mas já foram azuis). E a Inês, a melhor filha que conheço, tem olhos azuis, que, tal como os meus, "ameaçam" ficar verdes.

Verdes são os olhos das mulheres do meu coração e hoje é o dia de uma delas. Hoje é o dia da Zé, a minha mãe. Hoje celebramos os 70 fantásticos anos de Zé.

Olho para a minha mãe e penso que deverá ter havido algum engano no registo de nascimento. Onde esconde estes 70 anos? A Zé raramente nos causa sobressaltos (que não sejam os que nos provoca por ser muito bonita) mas, no Verão passado, pregou-nos um valente susto. Por isso, no mesmo dia em que fez a operação que viria a ser um verdadeiro sucesso, decidimos que organizaríamos uma festa de aniversário surpresa - e faltavam mais de 6 meses para gritar "surpresa"!

Todas as mães são maravilhosas, mas a minha é a melhor do mundo. E o facto de ser a melhor, vai muito além de motivos como fazer os melhores panados com arroz de feijão, o mais delicioso polvo à lagareiro, a mais saborosa carne à Braz, a mais amarelinha aletria ou a mais bonita pannacota com frutos silvestres!

Neste dia, que é de celebração da vida com saúde, juntamos familiares e amigos, e sentamo-nos à mesa, sem etiquetas ou protocolos, como se de uma gigante família se tratasse.

As mesas, devidamente identificadas, recordam-nos como a família, os amigos e a saúde são o que de mais precioso temos nesta vida - não nos esqueçamos disso:


“A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família”

“A maior riqueza é a saúde” (nesta mesa sentámos naturalmente a equipa de médicos que tem acompanhado a minha mãe!)

“A amizade é como os títulos honoríficos: quanto mais velha, mais preciosa”

”A ave constrói o ninho; a aranha, a teia; o Homem, a amizade”

“A amizade duplica as alegrias e divide as tristezas”


Parabéns, mãe!