Nada como as experiências de vida para nos obrigarmos a apreciar o mundo com outros olhos. Adquirirmos novas perspetivas.
Eu odiava pombos. Os pombos sujam tudo. E estão por toda a parte. Por duas vezes na minha vida estive no local e hora erradas aquando da passagem de um pombo. Eu odiava verdadeiramente pombos. Hoje gosto deles. Sorrio para eles. Até os cumprimento dizendo “olá pombos, bom dia, como estão?”.
Há cerca de três meses lesionei-me. Uma lesão no músculo tensor da fáscia lata obrigou-me a parar de correr. Fiquei danada. Aparentemente o problema terá surgido por falta de alongamentos. Na realidade, uma mistura de corrida em excesso aliada a défice de alongamentos. Desatei a alongar amadoramente. Depois veio o yoga. E a pigeon pose. Na versão original, Eka Pada Rajakapotasana. Quem não conhece, a foto dá uma ideia. Por consideração à secção masculina, selecionei uma miúda gira. Esta é uma das versões. Há diversas variantes. Bem mais duras por sinal.
Se correm, acreditem, vão querer fazer isto quando chegarem a casa. O tensor da fáscia lata e muitos outros tendões e tendõezinhos vão adorar. Se não correm, vão também querer ser pombos por uns minutos.
Descobri entretanto que não estou só neste amor pelos pombos. Casualmente, encontrei este artigo (leiam), que corrobora tudo o que escrevi acima e explica, de forma sustentada, o motivo porque a “pigeon pose” nos faz tão bem.
Um verdadeiro love affair!
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
sábado, 26 de janeiro de 2013
Primeiro encontro com os Abutres
Esta foto poderia chamar-se "pus o pé no sítio errado". Mas não. Se assim fosse, a Serra da Lousã hoje teria estado repleta de sítios errados. Dentro da cabeça permanecem os sons da serra e o "chlop chlop" que me acompanhou ao longo de mais de 5 horas.
Miranda do Corvo é muito bonita. Eu que o diga, que palmilhei entusiasticamente 3 km adicionais no final da prova, porque falhei a marcação do percurso. Só mesmo alguém como eu para conseguir fazer 21 km na Serra da Lousã sem me perder e chegar à vila para conseguir tal feito. De toda a forma, a falha foi mesmo minha e não da organização dos Trilhos dos Abutres que, em todos os aspetos, esteve ao mais alto nível. De resto, as marcações eram tantas que nem um míope com 20 dioptrias conseguiria perder-se.
Quanto à serra, por mais que procure, não encontro as palavras à altura de cada momento que vivi. As chuvadas dos últimos dias deram origem a cascatas de tirar o fôlego. A terra, essa, faria as delícias dos gabinetes de estética com as suas propriedades reparadoras e terapêuticas. Por falar em propriedades terapêuticas, sabem lá o bem que fez a água gelada no meu tensor. De cada vez que surgia um novo riacho, lá mergulhava eu a perna um pouco mais para a acordar. Em várias ocasiões evoluí de ser bípede para quadrúpede. Os "trilheiros" dos 45 km surgiram no final da minha prova. Tentei seguir-lhes no encalço. A tentativa não durou mais do que 15 segundos. Corri quando pude. Quando não pude correr, andei. Gostei muitíssimo e fica a garantia que voltarei. Uma nota especial para os atletas que palmilharam aquela serra durante 45 km. Alguns estiveram a monte mais do que 10 horas. Os primeiros terminaram os 45 antes de eu finalizar a minha missão. São uns valentes. Ainda bem que tive a sensatez de desistir da ultra distância e fazer a prova de 23 km (26 km, no meu caso!). Não a teria terminado e a Serra da Lousã teria ganho uma nova espécie decenária - eu própria!
Miranda do Corvo é muito bonita. Eu que o diga, que palmilhei entusiasticamente 3 km adicionais no final da prova, porque falhei a marcação do percurso. Só mesmo alguém como eu para conseguir fazer 21 km na Serra da Lousã sem me perder e chegar à vila para conseguir tal feito. De toda a forma, a falha foi mesmo minha e não da organização dos Trilhos dos Abutres que, em todos os aspetos, esteve ao mais alto nível. De resto, as marcações eram tantas que nem um míope com 20 dioptrias conseguiria perder-se.
Quanto à serra, por mais que procure, não encontro as palavras à altura de cada momento que vivi. As chuvadas dos últimos dias deram origem a cascatas de tirar o fôlego. A terra, essa, faria as delícias dos gabinetes de estética com as suas propriedades reparadoras e terapêuticas. Por falar em propriedades terapêuticas, sabem lá o bem que fez a água gelada no meu tensor. De cada vez que surgia um novo riacho, lá mergulhava eu a perna um pouco mais para a acordar. Em várias ocasiões evoluí de ser bípede para quadrúpede. Os "trilheiros" dos 45 km surgiram no final da minha prova. Tentei seguir-lhes no encalço. A tentativa não durou mais do que 15 segundos. Corri quando pude. Quando não pude correr, andei. Gostei muitíssimo e fica a garantia que voltarei. Uma nota especial para os atletas que palmilharam aquela serra durante 45 km. Alguns estiveram a monte mais do que 10 horas. Os primeiros terminaram os 45 antes de eu finalizar a minha missão. São uns valentes. Ainda bem que tive a sensatez de desistir da ultra distância e fazer a prova de 23 km (26 km, no meu caso!). Não a teria terminado e a Serra da Lousã teria ganho uma nova espécie decenária - eu própria!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Inês e Trilhos dos Abutres
A minha filha Inês tem 7 anos. Gosto desmesuradamente
da Inês. Quem não conhece as gargalhadas da Inês não sabe o que perde.
Conseguiriam fazer gargalhar a mais triste das almas deste planeta.
Diz quem me conheceu em pequena que a Inês é um clone
da mãe. Eu própria o verifico nas fotos de ambas. E lembro-me de mim assim.
Como a vejo. Mas não sou daquelas mães que quer ver a filha crescer à sua
semelhança. Nada disso. Quero que seja ela própria, o melhor que souber. Pode
ser antropóloga, professora, economista, o que quiser. Neste mundo de
incertezas, é cada vez mais difícil prever onde estará o melhor futuro.
A Inês chama-se Inês porque eu não tive a mesma sorte.
Era o nome escolhido pela minha mãe quando soube que esperava uma menina. No
entanto, uma prima da minha mãe antecipou-se e teve a sua bebé primeiro, a quem
chamou Inês. Grande azar o meu. Para mim sobrou o nome "Susana".
Teria adorado ser Inês.
Ontem, quando questionada pela catequista quanto à
profissão da mãe, a Inês terá respondido "atleta". Reconheço que para
além de trabalhar no Aeroporto de Lisboa, faço muitas outras coisas. Mas
"atleta" não faz parte da minha lista de valências. Adoro correr, é
certo. Mas não sou atleta. Atleta, diz-nos o dicionário, é o "profissional
dos desportos (preferencialmente atléticos) e das atividades físicas".
Onde encaixo aqui? Em lado nenhum. Logo, não sou atleta. De toda a forma, longe
de mim contrariar a Inês nesta fase. Vê-me sair para correr, vê-me chegar a
casa com medalhas (participação, claro) e ouve meio mundo dirigir-se à mamã
dizendo "então atleta, essas corridas?".
Hoje entrou no carro depois da escola dizendo que já
tinha feito os trabalhos de casa. Uma composição cujo tema era "a minha
profissão preferida". "E que profissão escolheste tu, Inês?",
perguntei. A resposta... "Atleta". Ri-me, claro está. Entretanto, já
em casa, fui buscar o caderno. O objetivo era verificar eventuais erros
ortográficos e alertar a Inês para o facto. E, claro, procurar saber os motivos
que levavam a Inês a escolher a profissão que pensa ser a da mãe. Sorri. Espero
que a Inês não me leve a mal a inconfidência, mas vou partilhar algumas das
suas palavras. "(...) E assim apareço nos jornais e na televisão. E se for
a primeira ganho uma medalha. E assim batem palmas. (...) E se eu ganhar o campeonato
posso ficar campeã. Posso falar ao microfone. E se eu ganhar flores?
(...)". Depressa concluí que a Inês não será uma atleta no futuro. Tenho
aqui uma artista!
Daqui a 4 dias parto uma vez mais para a Serra da
Lousã. Tenho um assunto a resolver com a serra, que ficou pendente em novembro
último, quando fiz os meus primeiros 30 km de trilhos à séria. Ao contrário do
que desejava, não me estrearei na mítica distância, a ultra. Para quem não
sabe, qualquer distância superior a 42.195 m. A minha condição física
obrigou-me a fazer "downgrade" para os 23 km. Adicionalmente,
pasmem-se, tive medo da ultra. Comecei a ouvir falar de mantas de
sobrevivência, apitos, neve, gelo e coisas que tais e estremeci. Não tenho
correntes para colocar nos ténis. Nos 23 km não subirei tanto. E terei tempo
para o meu esperado "tête-a-tête" com aquela magnífica serra.
E porque falo dos Trilhos dos Abutres? Porque sei que a Inês vai adorar rever-me aquando do meu regresso. A Inês perdeu recentemente os dois incisivos centrais de leite, Quem sabe fiquemos ainda mais parecidas!
E porque falo dos Trilhos dos Abutres? Porque sei que a Inês vai adorar rever-me aquando do meu regresso. A Inês perdeu recentemente os dois incisivos centrais de leite, Quem sabe fiquemos ainda mais parecidas!
sábado, 29 de dezembro de 2012
O tempo voa
A culpa de tudo é do tempo. Não do meteorológico. Esse
também não tem culpa. É do outro tempo. Aquele do relógio. O do calendário. Bem
vistas as coisas, a culpa nem é do tempo. É da falta dele.
“Aos 20 anos, tens tempo e saúde, mas não tens
dinheiro. Aos 40, tens saúde e dinheiro, mas não tens tempo. Aos 60 anos, tens
tempo e dinheiro, mas não tens saúde”. A 3 anos dos 40, sinto-me afundada
naquela que é a segunda fase da vida, de acordo com este célebre escrito.
Talvez por isso este tema tenha surgido espontaneamente e, assim, resolvido
escrever umas palavras sobre o assunto.
Deixo agora o meu Algarve. Depois de 7 dias com tempo, regresso à capital do tempo que não chega. Não será diferente de qualquer outra capital, é certo, mas lá o tempo passa a correr. Mesmo quando não corro. É uma correria. Curiosamente, depois de 7 dias de sol, o Algarve despede-se de mim com chuva. Eventualmente fá-lo para que não vá tão triste.
Deixo agora o meu Algarve. Depois de 7 dias com tempo, regresso à capital do tempo que não chega. Não será diferente de qualquer outra capital, é certo, mas lá o tempo passa a correr. Mesmo quando não corro. É uma correria. Curiosamente, depois de 7 dias de sol, o Algarve despede-se de mim com chuva. Eventualmente fá-lo para que não vá tão triste.
Mas voltemos ao outro tempo.
"A vida já é curta e nós encurtamo-la ainda mais
desperdiçando o tempo", escrevia Victor Hugo. "Nunca penso no futuro,
ele chega rápido demais", partilhou Albert Einstein. "O homem que tem
coragem de desperdiçar uma hora do seu tempo, não descobriu o valor da vida”,
disse sabiamente Charles Darwin. E depois, aquelas citações mais vulgares, que
usamos no dia-a-dia… "O tempo passa a correr". "O tempo
voa". Quantas vezes dizemos que o tempo passa devagar? São raras, certo?
Só acontece quando estamos demasiado entediados. E, nos dias que correm, já não
há sequer tempo para estarmos enfadados.
Elas e eles. O tempo não é seletivo. O tempo não é
generoso, mas é justo. Ou melhor, é igualmente injusto para ambos os sexos.
Elas… Super-mães, super-solteiras,
super-profissionais. Têm que trabalhar, têm que educar os filhos, quando os há.
Também têm que brincar com eles. Têm que fazer exercício físico, têm que fazer
manicure e pedicure. Têm que fazer psicanálise - não entendo esta necessidade
de se “escarafunchar” no passado para descobrirmos o que somos hoje. Têm que
pensar no que fazer para jantar, depois têm que o fazer. Às vezes têm que fazer
acupunctura, têm que estar lindas, têm que ser lindas. Se souberem dançar,
tanto melhor, pelo que têm que aprender salsa, dança jazz ou kizomba.
Eles… Super-pais, super-solteiros, super-profissionais. Têm que trabalhar, têm que educar os filhos, quando os há. Também têm que brincar com eles. Têm que levar o cão à rua. Têm que mudar a areia do gato. Têm que fazer a revisão ao carro, têm que pôr a pressão de ar certa nos pneus. Têm que tratar dos seguros do carro, de saúde, de vida e do recheio da casa. Têm que cuidar das contas do condomínio, da prestação da casa e da gestão financeira diária. Geralmente não sabem dançar, mas não faz mal. Não têm que saber dançar. Não têm que saber o que há para fazer em casa. Basta que haja alguém que lhes diga o que fazer. Uma coisa de cada vez.
O ano tem 365 dias, porque a Terra decidiu que esse seria o tempo que levaria a dar a volta ao Sol. Porque decidiu ser tão rápida? Cada dia tem 24 horas porque a Terra entendeu que esse seria o tempo que demoraria a rodar sobre si própria, numa volta completa. Está com pressa, porquê? Cada hora tem 60 minutos e cada minuto 60 segundos. Se cada minuto tivesse 5 segundos a mais que fosse, ganharíamos ao fim do ano nada mais, nada menos, do que 730 horas. Ora isso é muita hora.
Quero fazer tudo isto e muito mais. Mas quero mais tempo em 2013.
Vou lançar a petição "Esticar o tempo". Ou então "Ó Terra, gira lá mais devagar".
Assinam?
A dois dias de fechar o ano, faço votos para 2013 seja um ano cheio de saúde. Quanto ao resto, como um amigo do meu pai escreveu há dias - que vos/nos traga o suficiente, para que melhor possamos apreciar o que nos oferecer!
Eles… Super-pais, super-solteiros, super-profissionais. Têm que trabalhar, têm que educar os filhos, quando os há. Também têm que brincar com eles. Têm que levar o cão à rua. Têm que mudar a areia do gato. Têm que fazer a revisão ao carro, têm que pôr a pressão de ar certa nos pneus. Têm que tratar dos seguros do carro, de saúde, de vida e do recheio da casa. Têm que cuidar das contas do condomínio, da prestação da casa e da gestão financeira diária. Geralmente não sabem dançar, mas não faz mal. Não têm que saber dançar. Não têm que saber o que há para fazer em casa. Basta que haja alguém que lhes diga o que fazer. Uma coisa de cada vez.
O ano tem 365 dias, porque a Terra decidiu que esse seria o tempo que levaria a dar a volta ao Sol. Porque decidiu ser tão rápida? Cada dia tem 24 horas porque a Terra entendeu que esse seria o tempo que demoraria a rodar sobre si própria, numa volta completa. Está com pressa, porquê? Cada hora tem 60 minutos e cada minuto 60 segundos. Se cada minuto tivesse 5 segundos a mais que fosse, ganharíamos ao fim do ano nada mais, nada menos, do que 730 horas. Ora isso é muita hora.
Quero fazer tudo isto e muito mais. Mas quero mais tempo em 2013.
Vou lançar a petição "Esticar o tempo". Ou então "Ó Terra, gira lá mais devagar".
Assinam?
A dois dias de fechar o ano, faço votos para 2013 seja um ano cheio de saúde. Quanto ao resto, como um amigo do meu pai escreveu há dias - que vos/nos traga o suficiente, para que melhor possamos apreciar o que nos oferecer!
domingo, 23 de dezembro de 2012
Mais um Natal na Serra Algarvia
O Natal está a chegar.
Tenho a família reunida. Respiramos saúde. Que mais posso pedir?
Confesso que anseio pela noite de amanhã.
Não porque espere que o Pai Natal desça pela chaminé carregado de embrulhinhos. Oxalá não desça. Receio que se queime com as labaredas da lareira. Cá em casa os miúdos já sabem. O Pai Natal tem chave e entra pela porta enquanto jantamos. A árvore está numa sala distinta daquela onde fazemos a ceia. Tudo cuidadosamente planeado. Enquanto jantamos, um dos crescidos coloca os presentes junto à árvore de uma vez só.
Na realidade, eu estou em pulgas porque adoro o bacalhau cozido com todos da minha mãe. Atenção, tem mesmo que ser o da minha mãe. E o vinho tinto escolhido pelo meu pai. Todos os anos fico a observar os restinhos nas travessas. O dia seguinte, dia de Natal portanto, é dia de "roupa velha" e serão precisos o bacalhau e as couves. Sabes o que é "roupa velha"? Não? Pois, só conheces Haagen Dazs. Sabes lá o que perdes.
As sobremesas são muitas, mas eu só tenho olhos para uma. A aletria. Atenção. Não é arroz doce. Só gosto daquela massa fininha, ultra calórica, polvilhada com canela.
A minha mãe é algarvia, o meu pai de Penafiel. Quis o destino que se encontrassem. A gastronomia também se cruzou, pelo que, acredita, tenho o melhor dos dois mundos em casa.
Paladares à parte, gosto mesmo é deste Algarve. O Algarve no Inverno. E esta aldeia na Serra Algarvia em particular. Tenho amigos que cresceram comigo aqui. Eram Verões com os avós que duravam 3 meses. Praia, mas também campo, muito campo. "Stop", macaca, cabra cega, escondidas, cartadas, mata, eu sei lá. O tempo nunca mais terminava... Olha, fui e sou uma afortunada.
Enquanto escrevia, vi a reportagem "Solidariedade em Lisboa" e ouvi a conversa na SIC notícias entre a Ana Lourenço - gosto desta jornalista - e o Frei Fernando Ventura. Que facilidade de expressão. Que inteligência. Que frontalidade. É um homem do norte, bem se vê. Se pudesse, parava o tempo amanhã. Assim teríamos mesmo Natal "todos os dias".
Confesso que anseio pela noite de amanhã.
Não porque espere que o Pai Natal desça pela chaminé carregado de embrulhinhos. Oxalá não desça. Receio que se queime com as labaredas da lareira. Cá em casa os miúdos já sabem. O Pai Natal tem chave e entra pela porta enquanto jantamos. A árvore está numa sala distinta daquela onde fazemos a ceia. Tudo cuidadosamente planeado. Enquanto jantamos, um dos crescidos coloca os presentes junto à árvore de uma vez só.
Na realidade, eu estou em pulgas porque adoro o bacalhau cozido com todos da minha mãe. Atenção, tem mesmo que ser o da minha mãe. E o vinho tinto escolhido pelo meu pai. Todos os anos fico a observar os restinhos nas travessas. O dia seguinte, dia de Natal portanto, é dia de "roupa velha" e serão precisos o bacalhau e as couves. Sabes o que é "roupa velha"? Não? Pois, só conheces Haagen Dazs. Sabes lá o que perdes.
As sobremesas são muitas, mas eu só tenho olhos para uma. A aletria. Atenção. Não é arroz doce. Só gosto daquela massa fininha, ultra calórica, polvilhada com canela.
A minha mãe é algarvia, o meu pai de Penafiel. Quis o destino que se encontrassem. A gastronomia também se cruzou, pelo que, acredita, tenho o melhor dos dois mundos em casa.
Paladares à parte, gosto mesmo é deste Algarve. O Algarve no Inverno. E esta aldeia na Serra Algarvia em particular. Tenho amigos que cresceram comigo aqui. Eram Verões com os avós que duravam 3 meses. Praia, mas também campo, muito campo. "Stop", macaca, cabra cega, escondidas, cartadas, mata, eu sei lá. O tempo nunca mais terminava... Olha, fui e sou uma afortunada.
Enquanto escrevia, vi a reportagem "Solidariedade em Lisboa" e ouvi a conversa na SIC notícias entre a Ana Lourenço - gosto desta jornalista - e o Frei Fernando Ventura. Que facilidade de expressão. Que inteligência. Que frontalidade. É um homem do norte, bem se vê. Se pudesse, parava o tempo amanhã. Assim teríamos mesmo Natal "todos os dias".
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
“Either write something worth reading or do something worth writing”
Há
algumas semanas cruzei-me com esta preciosidade, da autoria de Benjamin
Franklin. Redigi três linhas e partilhei no FB. Alguns segundos depois
arrependi-me e eliminei o “post”. No entanto, este “quote” ficou a marinar, a
marinar… E atingiu entretanto o ponto de rebuçado.
Tenho tido experiências de corrida verdadeiramente maravilhosas nos últimos meses. Aquilo que era uma brincadeira, virou paixão e agora vício. Por outro lado sempre gostei de palavras. Simpaticamente, a família mais próxima sempre me encorajou a escrever. Escrevia para mim, às vezes para alguém. Desde que descobri o FB e a corrida, escrevo para quem me queira ler.
Não sei muito bem porque o faço. Ainda há dias lia um artigo sobre as propriedades terapêuticas da escrita. Pensava eu que a corrida era a atividade das propriedades terapêuticas por excelência – as endorfinas, a serotonina e outras hormonas do género. Mas sejamos francos. Nos dias que correm, tudo é terapêutico. Não tarda virá algum iluminado dizer que estar duas horas por dia no pára-arranca do trânsito é benéfico para a saúde, porque nos permite atingir estados de introspeção e reflexão profundos e descobrir o “verdadeiro eu”.
Dizia eu que tenho corrido. Por aqui, por ali, por aí. E escrito sobre cada uma dessas experiências. Há quem partilhe o treino registado no garmin. Fale da velocidade média, do melhor tempo, da volta mais rápida. Eu gosto de escrever sobre a experiência “correr”. Talvez tenha interiorizado que tenho uma missão de evangelização - pôr “meio-mundo” a correr. Afinal… Antes de começar, eu também não gostava. Corria 2 metros e ficava com a vulgar dor de burro. Desesperada, portanto. E depois… Depois não mais consegui parar.
Minto. Páro agora. Páro agora porque a minha amiga Sofia, que por sinal é fisiatra, me disse que tinha que parar. “Consegues fazer isso, Susana?”, perguntou-me. Respondi “sim, claro”, interrogando-me em silêncio como isso iria ser possível.
Mas é assim mesmo. Esqueci-me que já não tenho 20 anos. Esqueci-me que o corpo precisa de descansar. Na realidade não andava a correr 40 km por semana. Andava a correr para deixar ou apanhar os filhotes na escola, a correr para o trabalho, a trabalhar a correr, a fazer o jantar a correr, a dormir a correr (quando não corria a dormir!). Enfim, uma correria. E agora… Puffff.
Não sei o que me aterroriza mais. Não poder correr. Ou não ter tema para escrever. Mas enquanto espero pela autorização para regressar ao alcatrão ou aos trilhos, irei aprender a escrever, seguindo a sugestão do amigo Jorge. E assim, quando voltar às corridas, talvez consiga escrever algo que valha a pena ler, depois de fazer algo sobre que valha a pena escrever.
Tenho tido experiências de corrida verdadeiramente maravilhosas nos últimos meses. Aquilo que era uma brincadeira, virou paixão e agora vício. Por outro lado sempre gostei de palavras. Simpaticamente, a família mais próxima sempre me encorajou a escrever. Escrevia para mim, às vezes para alguém. Desde que descobri o FB e a corrida, escrevo para quem me queira ler.
Não sei muito bem porque o faço. Ainda há dias lia um artigo sobre as propriedades terapêuticas da escrita. Pensava eu que a corrida era a atividade das propriedades terapêuticas por excelência – as endorfinas, a serotonina e outras hormonas do género. Mas sejamos francos. Nos dias que correm, tudo é terapêutico. Não tarda virá algum iluminado dizer que estar duas horas por dia no pára-arranca do trânsito é benéfico para a saúde, porque nos permite atingir estados de introspeção e reflexão profundos e descobrir o “verdadeiro eu”.
Dizia eu que tenho corrido. Por aqui, por ali, por aí. E escrito sobre cada uma dessas experiências. Há quem partilhe o treino registado no garmin. Fale da velocidade média, do melhor tempo, da volta mais rápida. Eu gosto de escrever sobre a experiência “correr”. Talvez tenha interiorizado que tenho uma missão de evangelização - pôr “meio-mundo” a correr. Afinal… Antes de começar, eu também não gostava. Corria 2 metros e ficava com a vulgar dor de burro. Desesperada, portanto. E depois… Depois não mais consegui parar.
Minto. Páro agora. Páro agora porque a minha amiga Sofia, que por sinal é fisiatra, me disse que tinha que parar. “Consegues fazer isso, Susana?”, perguntou-me. Respondi “sim, claro”, interrogando-me em silêncio como isso iria ser possível.
Mas é assim mesmo. Esqueci-me que já não tenho 20 anos. Esqueci-me que o corpo precisa de descansar. Na realidade não andava a correr 40 km por semana. Andava a correr para deixar ou apanhar os filhotes na escola, a correr para o trabalho, a trabalhar a correr, a fazer o jantar a correr, a dormir a correr (quando não corria a dormir!). Enfim, uma correria. E agora… Puffff.
Não sei o que me aterroriza mais. Não poder correr. Ou não ter tema para escrever. Mas enquanto espero pela autorização para regressar ao alcatrão ou aos trilhos, irei aprender a escrever, seguindo a sugestão do amigo Jorge. E assim, quando voltar às corridas, talvez consiga escrever algo que valha a pena ler, depois de fazer algo sobre que valha a pena escrever.
domingo, 9 de dezembro de 2012
Corrida, esse desporto solidário!
Desenganem-se os que dizem que a corrida é um desporto
solitário. A corrida é um desporto solidário, isso sim.
Senão vejamos...
Ontem, a Henriqueta, companhia recente das corridas e experiente no assunto, cuidou de mim como uma princesa. Depois de uma massagem desportiva, aplicou-me uma daquelas bandas coloridas - sou tão rookie, continuo a não atinar com o nome - para dar maior suporte à musculatura da perna avariada.
Esta manhã, o Heitor, apoiado de mais um conjunto de amigos - a Verónica, o Luís e outros corajosos que não conheço o nome - levaram a cabo a maravilhosa missão de conduzir a Carina na sua cadeira de rodas durante 42 km, por esta cidade de Lisboa.
O Nuno acompanhou a Joana na sua primeira maratona. O Nuno e a Cristina cruzaram-se e percorreram juntos parte da maratona e meia-maratona.
A Andreia e a Gabriela concluíram também a sua primeira maratona, com o apoio da Henriqueta, Verónica e Heitor.
Ouvi palavras de incentivo de vários companheiros de corrida - a Ana, o Carlos, o Ricardo, o Pedro João, o Pedro. Que bom ver tantas caras conhecidas.
Cerca do km 28, corria sozinha, e com vontade de encostar às boxes. Depois de uma paragem forçada de duas semanas, não foi fácil explicar às minhas pernas que a sua razão de existir era correrem para mim. Seguia "zangada" neste monólogo com os membros inferiores e, confesso, acusando já algumas dores, pensei "estacionar" em Algés. Surge então o Zé. Nunca o nome do blogue do Zé me assentou tão bem. "De sedentária a maratonista". Foi mesmo assim que me senti quando iniciei a minha segunda maratona esta manhã - sedentária. Parecia que em duas semanas tinha desaprendido tudo.
O Zé acompanhou-me até aos 42. Conversando, fazendo-me gargalhar, puxando por mim. Na subida da Almirante Reis pedi-lhe desculpa, mas fui a ouvir a musica "fly", da nicki minaj. "I came to win, to fight, to conquer, to survive (...)". Cantei alto e tudo. Largou-me à entrada do estádio, para que seguisse e cortasse a meta dos 42 pela segunda vez. Lá dentro, mais umas palavras de incentivo do Nelson.
Se podia ter deixado um intervalo maior para a segunda experiência 42? Podia, mas não era a mesma coisa. Admito que o empeno na próxima semana seja significativo, mas nada que algo ao estilo de restaurador olex não resolva. Estar rodeada de "locos que corren" deixa-me mais "loca" ainda. E teria ficado inquieta em casa esta manhã.
De toda a forma, agora vou mesmo descansar e recuperar, para iniciar em grande o ano de 2013, com o meu ultra-objetivo na Serra da Lousã. E depois Sevilha, se as pernas o permitirem. Agrada-me esta história da internacionalização!
Continuação de boas corridas para quem corre. E quem não corre, sugiro que acrescente o objetivo à lista de desejos para o dia 31 deste mês. Sugiro que comam 4 passas de uma vez, para que se concretize mesmo.
Senão vejamos...
Ontem, a Henriqueta, companhia recente das corridas e experiente no assunto, cuidou de mim como uma princesa. Depois de uma massagem desportiva, aplicou-me uma daquelas bandas coloridas - sou tão rookie, continuo a não atinar com o nome - para dar maior suporte à musculatura da perna avariada.
Esta manhã, o Heitor, apoiado de mais um conjunto de amigos - a Verónica, o Luís e outros corajosos que não conheço o nome - levaram a cabo a maravilhosa missão de conduzir a Carina na sua cadeira de rodas durante 42 km, por esta cidade de Lisboa.
O Nuno acompanhou a Joana na sua primeira maratona. O Nuno e a Cristina cruzaram-se e percorreram juntos parte da maratona e meia-maratona.
A Andreia e a Gabriela concluíram também a sua primeira maratona, com o apoio da Henriqueta, Verónica e Heitor.
Ouvi palavras de incentivo de vários companheiros de corrida - a Ana, o Carlos, o Ricardo, o Pedro João, o Pedro. Que bom ver tantas caras conhecidas.
Cerca do km 28, corria sozinha, e com vontade de encostar às boxes. Depois de uma paragem forçada de duas semanas, não foi fácil explicar às minhas pernas que a sua razão de existir era correrem para mim. Seguia "zangada" neste monólogo com os membros inferiores e, confesso, acusando já algumas dores, pensei "estacionar" em Algés. Surge então o Zé. Nunca o nome do blogue do Zé me assentou tão bem. "De sedentária a maratonista". Foi mesmo assim que me senti quando iniciei a minha segunda maratona esta manhã - sedentária. Parecia que em duas semanas tinha desaprendido tudo.
O Zé acompanhou-me até aos 42. Conversando, fazendo-me gargalhar, puxando por mim. Na subida da Almirante Reis pedi-lhe desculpa, mas fui a ouvir a musica "fly", da nicki minaj. "I came to win, to fight, to conquer, to survive (...)". Cantei alto e tudo. Largou-me à entrada do estádio, para que seguisse e cortasse a meta dos 42 pela segunda vez. Lá dentro, mais umas palavras de incentivo do Nelson.
Se podia ter deixado um intervalo maior para a segunda experiência 42? Podia, mas não era a mesma coisa. Admito que o empeno na próxima semana seja significativo, mas nada que algo ao estilo de restaurador olex não resolva. Estar rodeada de "locos que corren" deixa-me mais "loca" ainda. E teria ficado inquieta em casa esta manhã.
De toda a forma, agora vou mesmo descansar e recuperar, para iniciar em grande o ano de 2013, com o meu ultra-objetivo na Serra da Lousã. E depois Sevilha, se as pernas o permitirem. Agrada-me esta história da internacionalização!
Continuação de boas corridas para quem corre. E quem não corre, sugiro que acrescente o objetivo à lista de desejos para o dia 31 deste mês. Sugiro que comam 4 passas de uma vez, para que se concretize mesmo.
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