segunda-feira, 10 de março de 2014
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
A caminho do "Caminho"
A vida faz-se de caminhos e eu vou fazendo o meu... como sei... como posso.
Há cerca de dois meses uma amiga ofereceu-me uma moldura.
Era uma linda moldura e, focada no "embrulho", nem me apercebi que não precisava de recheio. De fotografia, portanto.
Sou distraída. Muito distraída.
Efetivamente, só vários dias depois reparei que a moldura trazia consigo uma mensagem.
"Never run faster than your guardian angel can fly", alertou-me a Maria.
A moldura encontra-se na minha mesa de cabeceira e não há dia que me deite ou levante sem olhar para aquelas palavras.
Pode ser correr, pode ser andar... no fundo resume-se a viver. Viver devagar, para que o nosso anjo da guarda nos possa... guardar!
Talvez ande a viver demasiado depressa e estivesse a precisar de algo para me fazer andar devagar.
Sei que parece um paradoxo, quando não me canso de proclamar o quão lenta sou na corrida!
Penso que entendem o que quero dizer.
Pois bem.
O meu anjo da guarda definiu novos planos para mim.
Ao contrário do que pensava, não irei escrever o segundo capítulo de "Uma Aventura em Vila de Rei".
Depois de 4 dias de reposição das doses de mimos com a Inês e o Diogo, partirei com 10 peregrinos a caminho... do "Caminho"!
De 4 a 9 de março, correremos quando pudermos, caminharemos quando não pudermos, com a certeza porém que, ao fim de cerca de 250 km e chegando a Santiago de Compostela, teremos revisitado cada minuto importante das nossas vidas.
Acredito verdadeiramente que o "caminho" dará uma boa história!
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Um dia correrei como a Anna Frost
Não me canso de ver esta menina.
A Anna Frost faz parte da minha vida presente.
Aos 6 anos era a Candy que preenchia os meus sonhos de menina.
Mais tarde, na adolescência, a dinamarquesa Helena Christensen, porque queria ser como ela quando crescesse.
Aos 38... gostava de correr como a Frosty.
A Anna Frost faz parte da minha vida presente.
Aos 6 anos era a Candy que preenchia os meus sonhos de menina.
Mais tarde, na adolescência, a dinamarquesa Helena Christensen, porque queria ser como ela quando crescesse.
Aos 38... gostava de correr como a Frosty.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Sol de Inverno em Sicó
São 5:30 AM. Acordo em
modo "tenho que escrever". E é isso que faço agora. Ao contrário do
que sempre acontece, ontem não "escrevi" ao longo dos 52 km que
constituíram o percurso do Trail de Conímbriga, em Sicó. Talvez fosse
demasiado ocupada a pensar noutros assuntos que mereciam ser pensados num
enquadramento daqueles. E a serra traz-me isto. Oferece-me isto. Tempo para
pensar. Pensar envolta de cenários inspiradores de qualidade HD.
Parti bem cedo com um
grupo de amigos de Lisboa. 200 km, algumas peripécias e música de Maná -
pensando nos outros amigos que se encontravam em Sevilha à mesma hora - depois,
chegámos ao destino.
O São Pedro bem
mereceu o título de santo ontem. Que lindo dia de Sol! O Sol de Inverno acarinhou
várias centenas de atletas, que saíram com as doses de Vitamina D repostas. Que
bem que soube!
Troquei Sevilha por
Sicó
Na partida lá estavam
as caras do costume. Encontro algumas, outras encontram-me a mim. "Não
estavas em Sevilha, Susana?", perguntam. Sorrio e digo que mudei de
ideias.
E mudei sim. Há cerca
de duas semanas havia decidido que não iria correr a maratona em Sevilha.
Queria guardar Sevilha como foi em 2013. Com a família a meu lado, cruzando-se
comigo em vários pontos do caminho. Com a saia de sevilhana, que inicialmente me
fez querer enfiar num buraco percebendo que era a única atleta que tinha
escolhido um equipamento diferente e depois se revelou a mais inteligente
opção, merecendo a triplicar as palavras de incentivo dos locais que pensavam
que fosse uma "das suas". Sevilha foi perfeita assim e deste
modo a quis guardar.
A partida com os
abútricos
Percorri a primeira
parte do percurso com alguns elementos da família abútrica. Em alguns momentos
tive que pensar se deveria parar para rir ou tentar correr rindo. Depois de alguns quilómetros mais planos, começam a chegar
os montes que nos fazem "meter a primeira" e fazer-me pensar "ri-te agora, Susana". Não tinha comigo os
bastões pelo que a tarefa se afigurava algo mais complicada. Parti um bastão na Lousã em janeiro e ainda não fui tratar do assunto. Rapidamente
concluí que não vivo sem eles. Os bastões.
Começa a diversão
Depois do primeiro abastecimento na Ameixeira, em que recebo as palavras de incentivo da Ana Cristina do Mundo da Corrida, sigo caminho ao lado do Pedro Lizardo que não veio claramente com o propósito de chegar rápido à meta. Fazendo sprints para trás e para diante, como se de uma gazela se tratasse, vai procurando o melhor plano, a melhor perspetiva e divertindo-se com a sua câmara. Vamos querer essas imagens editadas, Pedro! Surge a primeira subida mais íngreme onde me estreio nas quedas e no encontro com a lama. Seguem-se uns trilhos onde me divirto, tentando escapar às pedras rolantes. Chegados cá abaixo subimos um pouco e sabemos que em breve estaremos no segundo abastecimento, onde nos aguardam... os queijos!
Pão com queijo e mel, não uma, nem duas, mas... três vezes!
No Poço, começo pelos gomos de
laranja mas rapidamente me rendo ao pão de mistura com queijo e mel. Preparo
uma fatia que me coloca algumas dificuldades a comer, tal a altura dos
ingredientes.
Há por aí uma foto a registar o digno momento, que proibi determinantemente o autor de publicar!
O cenário viria a repetir-se umas vezes mais. Comi pão com queijo e mel para os próximos seis meses!
Há por aí uma foto a registar o digno momento, que proibi determinantemente o autor de publicar!
O cenário viria a repetir-se umas vezes mais. Comi pão com queijo e mel para os próximos seis meses!
O cavaleiro no cavalo branco
Como dizia ontem, a generosidade da família abútrica não se circunscreve à Serra da Lousã. E assim foi. O José Carlos insiste pela décima vez para que fique com os seus bastões porque vou precisar deles. "E tu não precisas?", pergunto. "Espero por ti no próximo abastecimento e logo mos dás", respondeu. Foram "apenas" os bastões do José Carlos, mas souberam ao que deve saber o resgate por um cavaleiro a galope no seu cavalo branco. José Carlos, acabas de ganhar mais um título, a adicionar ao vassoura-simpatia que arrecadaste nos Ultra Trilhos dos Abutres. Que me perdoe o João Martins que abraçou a nobre tarefa de vassoura na prova de ontem. Não tive o prazer de correr na sua companhia. Sei que teria sido uma fantástica experiência. Mas ontem estava num modo lento-endiabrado!
Uma casa na pradaria
Chegamos novamente ao
vale e ao terceiro abastecimento. Villa Romana Rabaçal, de seu nome. O José Carlos não me espera, como de resto já
era expectável. Seguiu sem os seus bastões. Enganou-me! Nessa altura decido então
regulá-los e adaptá-los à minha estatura, para que deles melhor possa usufruir.
Mais uns gomos de laranja, uns tragos de coca-cola, o pão com queijo e mel
e... siga que se faz tarde!
A dado momento avisto
as eólicas e não me restam dúvidas que subiremos lá acima. Também não as tenho
quando vejo uma antena. Nestas provas longas, sabemos de antemão que teremos
oportunidade de visitar todos os pontos mais altos das redondezas.
Mas esta subida às
eólicas faz-me parar para tirar um retrato. Ainda estou do outro lado da
montanha, terei que descer até à base da seguinte e já vejo pontinhos que não
são mais do que atletas a subir a pique até ao topo. Solto uma valente
gargalhada e sigo o meu caminho. Os bastões são a mais preciosa ajuda.
Ajudam-me a marcar o ritmo e a não esmorecer. Chegada ao topo, caminho uns
metros, cruzo-me com uma corporação de bombeiros e procuro o trilho a seguir.
De repente assunto-me. Assusto-me a valer. Olho o chão e a sombra das pás das
eólicas gira no solo. Uma das sombras raspa-me na orelha. Sério que me raspou
na orelha!
Segue-se um estradão
de cascalho branco que ladeia as dezenas de moinhos de vento no topo da
montanha. Sítio perfeito para estar no início de tarde de domingo. É também nesta altura que penso em Sevilha. "Se lá estivesses, a esta hora, melhor ou menos bem, estarias a concluir a tua missão". Não tive pena. Era ali que queria estar. Mesmo sabendo que ainda tinha metade do percurso pela frente e pelo menos mais 4 horas a monte.
Depois dos 40 K, o
onduladinho
Quem me lê e acompanha
há algum tempo, sabe bem que estes são os meus favoritos. Os onduladinhos. Não sobem muito, não descem muito. Os arbustos fazém cócegas nas pernas. As silvas arranham. Adoro os onduladinhos.
Chegados a mais um topo - sinto que subi 40 montanhas ontem - a minha intuição
de escorpião dá o alerta. "É agora que nos vamos divertir?", pergunto
ao Pedro. E é mesmo. O Pedro sai na frente e eu sigo como posso, no modo mais endiabrado que conheço, acreditando que há um nadica-de-nada de Frosty um mim.
Salto, abro a passada, dou pontapés das pedras, receio ficar sem dentes, mas
divirto-me por demais naquele onduladinho. O sol está perfeito e só penso nas
fotos da Anna Frost debaixo do sol neo-zelandês!
Depois deste, segue-se um
outro trilho. Um trilho bem cerrado, carregado de pedra que dificulta a
progressão, mas de uma beleza incrível. A humidade já se faz sentir e os
cheiros ganham outra dimensão. Rapidamente sou ultrapassada pelo Luis e
Nicolau. Volto apenas a encontrá-los uns metros adiante porque...
Há festa em Casmilo!
Chego ao penúltimo
abastecimento. Música, tendinhas, aldeões. Tenho dificuldade em encontrar os
atletas e a mesa do abastecimento. Que festa nesta tarde de sol de Inverno! Se tivesse levado a saia de sevilhana ter-me-ia juntado ao rancho seguramente!
Sei
que aquela será a derradeira experiência com o pão, queijo e mel da região e
por isso demoro-me por lá mais um pedaço. Estamos todos juntos agora. Todos juntos! Vamos terminar isto?
Sem bateria no garmin, mas "Antes do Pôr-do-Sol"!
Há dias um amigo brincava comigo dizendo que havia escolhido mal o nome para o meu blogue. "Antes da bateria do garmin acabar", disse ele. "Esse é que era o nome certo!", acrescentou.
A bateria do garmin acabou depois de 8 horas de funcionamento. Ainda faltam uns quilómetros. Usando as palavras do Luís Sommer, vou exclamando "o último a chegar é um ovo podre"! Fui ovo podre em inúmeras situações hoje. Também exclamei "fartinha, fartinha, fartinha"! Mais do que as pernas, só a cabeça pode aguentar tanta hora a monte. E quando chegamos ao fim e verificamos que a cabeça superou, sabemos que crescemos mais um bocadinho.
9h01m depois saímos... Mais fortes. Mais confiantes. Melhores. E por isso voltaremos!
Até breve, em Vila de Rei!
Há dias um amigo brincava comigo dizendo que havia escolhido mal o nome para o meu blogue. "Antes da bateria do garmin acabar", disse ele. "Esse é que era o nome certo!", acrescentou.
A bateria do garmin acabou depois de 8 horas de funcionamento. Ainda faltam uns quilómetros. Usando as palavras do Luís Sommer, vou exclamando "o último a chegar é um ovo podre"! Fui ovo podre em inúmeras situações hoje. Também exclamei "fartinha, fartinha, fartinha"! Mais do que as pernas, só a cabeça pode aguentar tanta hora a monte. E quando chegamos ao fim e verificamos que a cabeça superou, sabemos que crescemos mais um bocadinho.
9h01m depois saímos... Mais fortes. Mais confiantes. Melhores. E por isso voltaremos!
Até breve, em Vila de Rei!
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Viciados na Montanha
A corrida trouxe benefícios inequívocos à minha vida.
Comecei no asfalto e cedo procurei outros lugares. A
montanha. A montanha é a minha praia.
A participação ativa em treinos ou provas desniveladas
sobre pedras, cascalho e folhinhas, ainda que em modo lento, tem-me permitido
também observar os comportamentos típicos de quem, como eu, é apaixonado pela
modalidade e a forma como vive os quilómetros percorridos.
Volvidos mais de 12 meses de experiências com montes e
vales, não poderia deixar de fazer as devidas adaptações a um texto que redigi há
um ano, quando escrevi umas palavrinhas sobre os viciados na corrida.
Seguem então os sintomas para que possam antecipadamente
precaver-se ou, em alternativa, entregar-se a esta loucura que só nos faz bem.
Um viciado na montanha…
… pensa em desnível acumulado quando
atravessa lombas na estrada;
… sorri quando, no meio da AE, avista um monte ao
fundo e consegue visualizar um “pontinho” que imagina ser ele próprio;
… imagina-se nos percursos montanhosos do Ultra
Trail do Monte Branco, quando sentado no banco do carro aguardando que o semáforo fique verde;
… ouve Ludovico Einaudi enquanto trabalha e sente os
pés a mexer em busca de piso irregular;
… junta-se a outros loucos por montanha à volta do PC
ou da TV a ver filmes inspiradores da Salomon Trail Running TV;
… não se envergonha de começar a caminhar 500 metros depois
de ter iniciado a corrida num treino numa qualquer serra, pois sabe que vai precisar
das pernas mais adiante;
… partilha no Facebook todas as citações inspiradoras que
encontra sobre montes e vales;
… substitui todos os ídolos da adolescência pela Frosty,
Emelie, Kilian e outros campeões da montanha;
… acredita que conseguirá chegar ao topo da montanha
mais rapidamente se usar o equipamento da Anna Frost ou do Kilian;
… pensa que a culpa de não correr mais rápido é do “buff”,
ao qual falta aerodinamismo;
… sempre que vê alguém ultrapassá-lo e correr montanha
acima mais depressa, assume de imediato que o outro correrá uma menor distância e pensa para consigo "vai, vai, que eu já te apanho";
... nas provas, motiva-se a cada quilómetro com tudo aquilo que vê, acredita que mais à frente será ainda mais bonito e consulta a altimetria com indicação dos postos de abastecimento, sonhando com um mero copo de coca-cola fresca;
… vive em estado de ansiedade até que chegue domingo,
dia típico para realização de provas, sabendo de antemão que nunca subirá ao
pódio e muito dificilmente alcançará a primeira metade da classificação geral;
... na véspera das provas, prepara com entusiasmo os camel back com tudo o que vai necessitar
e também o que pensa que nunca necessitará;
… não hesita também em programar o despertador para as
4 AM de domingo, por forma a chegar à prova – na montanha, claro - por que
esperou toda a semana;
… sabe parar quando chega o topo da montanha, não para
“que o mundo o possa ver, mas sim para que possa ver o mundo”;
… define o local das férias anuais em função do número
de montezinhos, serras ou montanhas que o destino oferece e onde possa correr;
… inicia qualquer conversa com um desconhecido com um
desbloqueador de conversa do tipo “por onde anda agora o nosso Presidente da
República”, rapidamente substituído pelo tema “montanha” e a forma como esta
lhe salvou a vida (e deixou de pensar no Presidente da República);
… anuncia no Facebook que vai para a montanha;
… anuncia no Facebook, no mínimo 8 horas depois, que
já chegou da montanha;
… anuncia no Facebook a distância que correu na
montanha, a velocidade a que o fez e quantas calorias queimou;
… partilha no Facebook dezenas de parágrafos
relatando a última prova de 40 km, não esquecendo nenhum detalhe: frio ou
calor, vento ou ameno, as tostas com mel e as minis dos abastecimentos, a dor
no joelho, a queda na pedra escorregadiça, o entorse do tornozelo direito, a
camaradagem entre atletas, os bichos estranhos que viu, os sons que ouviu, as gargalhadas que deu e as paisagens que o fizeram sonhar.
Se nos faz sonhar, que sonhemos pois então!
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Coisas que inspiram
If you are faced with a mountain, you have several options.
You can go around it.You can dig under it
You can fly over it.
You can blow it up.
You can ignore it and pretend it’s not there.
You can turn around and go back the way you came.
Or you can stay on the mountain and make it your home.
Vera Nazarian, The Perpetual Calendar of Inspiration
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